Nascida em Lisboa a 4/10/1974
Nasceu em Lisboa a 4 de Outubro de 1974 e, desde muito jovem, é visível a sua paixão pela música. Sem nunca ter aspirado a ser artista, Mafalda Arnauth descobre-se subitamente transportada para o mundo dos espectáculos, das viagens, dos ensaios, das casas de fado, onde depressa se deixa invadir pelo entusiasmo de se alimentar das palmas, da apreciação do publico, de se descobrir através do canto. Com a frescura característica de uma voz jovem e sem “vícios”, cativou primeiro pela espontaneidade, depois pelas memórias sempre presentes nas vozes que surgem com repertórios de sucesso antigos e finalmente, pela sua própria natureza, composições, personalidade, revelando-se de uma forma mais caracterizada e verdadeira.
É inspirado nessa forma de ser, que o seu primeiro álbum surge recheado de composições suas, graças ao estímulo do primeiro produtor a acompanha-la na gravação de um disco, João Gil. Aos 24 anos inicia a sua carreira com o álbum que ganha o Prémio Revelação do Semanário “Blitz”, tendo no ano seguinte sido nomeada para os “Globos de Ouro” (categoria de melhor intérprete). Na senda dos concertos que já vinha levando a cabo um pouco por todo o Mundo, o seu espectáculo ganha definitivamente contornos próprios e é através dos seus temas que se revela mais profundamente, crescendo nela a ansiedade de alargar ainda mais o seu repertório e poder com o tempo deixar marcas do seu Pais, da sua cultura, mas com as suas próprias palavras. Em cada continente deixa uma marca do passado que a inspirou, do presente que a habita e do futuro que ainda ambiciona. Acima de tudo, Mafalda Arnauth quer comunicar...Mas, "ai do vento e ai do mar, que tudo o que for por bem, virá por mal se não entregarmos a nossa arte ao povo de Portugal".Nenhum filho de Portugal permanece tranquilamente longe do seu país por muito tempo. Como resposta ao sucesso quase inesperado do seu primeiro álbum, concretiza o seu primeiro concerto na terra onde o fado se chamou fado: em Setembro de 2000, esgota o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, um ano depois do lançamento do seu primeiro disco e após uma larga viagem pelos palcos do país e do estrangeiro.
A seguir, o tudo acontece assente numa consciência que tudo o resto terá de ser mais e melhor. É assim a exigência, é assim a vontade, é assim a esperança.O poeta não dorme e o criador também não; já em Março de 2001, Mafalda Arnauth edita o seu segundo trabalho discográfico. Desta vez com a produção de Amélia Muge e José Martins, que dirigem Ricardo Rocha (Guitarra Portuguesa), José Elmiro Nunes (Viola) e Paulo Paz (Contrabaixo).
"Esta voz que me atravessa" é o título do seu segundo álbum, editado simultaneamente em Portugal e na Holanda pela EMI, em Março de 2001. É um seguimento feliz, que vive das parcerias e da confiança na experiência de quem sabe. Da poesia de Hélia Correia, à musicalidade genial de Fausto Bordalo Dias, este é principalmente um momento de profundo crescimento artístico e pessoal, depois do qual nada ficou igual...
Pouco tempo depois, Mafalda torna-se a primeira artista portuguesa a ser representada internacionalmente pela “Virgin Records”. Em Outubro de 2001, apresentou o seu segundo concerto na capital portuguesa. Um ano depois do Centro Cultural de Belém, a artista esteve, desta feita, presente na sala da Culturgest, esgotada com semanas de antecedência. Novamente, este concerto marca o início de uma tournée por várias capitais da Europa, de uma artista mais rica, mais realizada, mais esgotada, mas absolutamente mais real e definida pelo seu repertório alargado e pelo amadurecimento de um período de trabalho sem tréguas. Faz uma pausa de um mês para promoção e volta à estrada até chegar à Cidade Invicta, onde representa o tema "Fado, a Nova Geração", integrado no Festival “Um Porto de Fado” (Porto 2001). A artista tinha actuado em Maio de 2000 no Teatro Rivoli com êxito inesperado e nunca se pensou que na capital do Norte o fado fosse tão bem aceite e desejado. Desta vez "Um Porto de Fado" acolheu no Mosteiro de São Bento da Vitória, esta jovem senhora da canção que nasceu em Lisboa e se tornou do Porto de uma forma misteriosa, como o fado é, na realidade. O ano de 2002 é “atravessado” por uma maré de concertos, frutos naturais da projecção da artista e do momento de ouro vivido pelo fado. Um pouco por toda a parte, multiplicam-se os colóquios, as conferências, o surgimento de novos valores e é por esta altura que o terceiro álbum toma forma.Após um curto período de descanso merecido, Mafalda Arnauth redescobre o prazer de compor, escrever a sua alma e os seus mistérios, inventar as suas formas de “dizer” a vida e o seu fado ganha contornos quase revolucionários de prazer e felicidade.
Assumindo a produção do seu terceiro álbum, o fado desta artista abandona quase por completo a fatalidade, a desgraça e a sombra. A tristeza serve-lhe de alimento para a esperança; os sofrimentos de inspiração; as dificuldades de força e alento. 2003 será para sempre um ano de graça pois vê terminada a gravação do seu terceiro álbum com a satisfação de quem alcançou uma paz de espírito só possível quando se consegue (quase...) o que se procura. É nas palavras de Sophia de Mello Breyner que a artista mais se revê e baseia o seu momento presente: “ Irei beber a luz e o amanhecer, irei beber a voz dessa promessa, que às vezes, como um voo me atravessa e nela, cumprirei todo o meu ser.” De forças e alma renovadas, Mafalda Arnauth prepara-se para viver e revelar ao publico o seu mais profundo “Encantamento”... Texto tirado de: www.instituto-camoes.pt






