Nasceu em Cascais na Parede a 29/09/1950
Fadista, António Carlos Pereira
Frazão 1950, foi um dos poucos fadistas da sua
geração a conseguirem relativo sucesso e um
importante divulgador de talentos. É irmão do grande
guitarrista Alcindo Frazão.
Começou a cantar cedo, apesar de sustentar que só se
pode ser verdadeiramente fadista depois dos trinta anos. Ainda
adolescente, cantava nas tascas e retiros da região de
Cascais. Profissionalizou-se aos 17 anos. E, no ano seguinte,
já cantava na Emissora Nacional. Actuou várias vezes
na rádio, mas também no teatro de revista e na
televisão. Passou por alguns retiros, como o Bar Galito e
chegou a desempenhar a profissão de torneiro
mecânico.
Pertencendo a uma geração intermédia, entalada
entre os grandes nomes do fado (Amália, Maria Teresa de
Noronha, Alfredo Marceneiro) e as mediáticas vozes do novo
fado (Mísia, Marisa, Katia Guerreiro), ultrapassou o clima
de desconfiança criado à volta do fado no
pós-25 de Abril e conseguiu fazer uma carreira
notável, com 14 álbuns gravados e alguma
projecção internacional. Deu concertos em
países como Espanha, França, Holanda, Escócia,
Dinamarca, Noruega, Brasil, Argentina, Chile, Venezuela,
Canadá, EUA e Senegal. O seu talento foi várias vezes
reconhecido, recebendo prémios como o Prémio
Prestígio e o Prémio Neves de Sousa, ambos da Casa da
Imprensa.
Influenciado por Manuel de Almeida e João Ferreira-Rosa, mas
com uma forma de cantar inconfundível, Carlos Zel deu voz a
muitos fados. Entre outros, "Meu amor morre no mar", "Sonho Louco",
"Palavra à Solta", "Fado das Mãos Sujas", "Disseste
que me deixavas", "Prece", "Fado Pechincha", "Tenho Saudades da
Baixa", "Amar outra Vez", "Quero tanto aos Teus Olhos" ou "Travessa
do poço dos negros". Estes temas estão presentes em
discos como Neste Rio Vou Morrer (1978, J. C. Donas),
Lusitano Vagabundo (1978, Imavox), Fados (BMG,
1993), Minha Primeira Cantiga (Emi, 1996) ou Fado
(Movieplay, 1997).
Apesar de preferir fados tradicionais, ousou fazer algumas
experiências, cantando ao lado de Luís Represas, Maria
João & Mário Laginha, Carlos Zíngaro,
Cesária Évora e Celina Pereira. No seu derradeiro
disco, Com Tradição (Movieplay, 1999),
inclui fados bem-humorados como o "Fado da Internet" (letra de
Daniel Gouveia) e até uma adaptação do "Fado
Tropical", de Chico Buarque.
Em 1993 foi um dos fundadores da Academia do Fado e da Guitarra.
Nos últimos anos da sua vida, foi o impulsionador e
organizador das Quartas de Fado, no Casino do Estoril, por onde
passaram muitíssimas vozes de várias
gerações. Nesses concertos também desempenhou
o importante papel de divulgador de novos talentos. Deu, de resto,
uma importante ajuda nos primeiros passos de fadistas como
Camané e Katia Guerreiro.
Em 2000, encheu o Grande Auditório do Centro Cultural de
Belém num concerto que marcou definitivamente a sua
consagração. Dois anos depois viria a falecer a 14 de
Fevereiro de 2002, na sua casa, em Cascais.
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