Nasceu em Lisboa a 7/5/1928
Referência
incontornável na história do fado, Vicente da
Câmara nasce , em berço aristocrata, ele que
dirá "O que é a aristocracia? A aristocracia tanto
pode estar no povo como noutra coisa qualquer. (...) O aristocrata
é aquele que sobressaiu".
Filho de D. João da Câmara, notável radialista
e loctor da rádio, Vicente da Câmara cedo recebe a
influência fadista que o rodeia, em particular da sua tia
Maria Tereza de Noronha e de D. João do Carmo de Noronha,
seu tio-avô. E é, portanto, natural a sua entrada no
mundo do fado, abrindo as difíceis portas da Emissora
Nacional com 20 anos.
Cultor do fado clássico, antigo, que dava espaço para
o improviso, Vicente da Câmara afirma-se pela sua clara
articulação da frase, voz timbrada e de grande
nitidez interpretativa, e pela verdade que coloca em cada fado, em
cada actuação. Insurge-se, de resto, contra os
fadistas que apenas imitam as interpretações
clássicas, que não inovam nem são capazes de
encontrar a sua própria voz. Senhor de opinião
desassombrada, rebela-se contra as convenções e, em
entrevista, afirma que o fado é um género
musicalmente pobre, sugerindo que é talvez aí que
reside a sua grandeza, pela liberdade interpretativa que permite
aos seus cultores.
Dele se recordam grandes clássicos. Mas, como nenhum outro,
o fado A Moda das Tranças Pretas vai constituir o seu
cartão de visita para a posteridade. Conta-se que o
compôs entre 1955 e 1956 num quarto de hotel em
Santarém. As primeiras opiniões, incluindo a de seu
pai, não são muito favoráveis. Mas ele insiste
em gravar o tema, que rapidamente ganharia o coração
de gerações de portugueses. Pode considerar-se, hoje,
que Vicente da Câmara é o último representante
de uma geração de fadistas aristocratas
(designação ainda assim muito equívoca) que
cantaram sobretudo por amor ao fado. Pai do fadista José da
Câmara, seu digno sucessor, D. Vicente dedica-se, depois de
muitos anos ligados à actividade de inspector numa
petrolífera, à sua casa de antiguidades. Esta
independência profissional em relação ao fado
é paradigmática do seu espírito livre e
desapegado.
Marcos da sua carreira:
1937 Começa a assistir aos ensaios de sua tia Maria
Tereza de Noronha.
1948 Ganha um concurso e estreia-se na Emissora Nacional,
feito ao alcance de poucos fadistas.
1950 Primeiro contrato discográfico com a editora
Valentim de Carvalho. Gravará clássicos como Fado das
Caldas, Varina, Os Teus Olhos.
1961 Passa para a casa Custódio Cardoso Pereira, onde
gravará o célebre Moda das Tranças
Pretas.
1967 Contrato com a Rádio Triunfo, onde grava temas
como Guitarra Soluçante, Andei Procurando o Fado, Fora de
Portas, Há Saudades Toda a Vida, O Fado Antigo é Meu
Amigo e É Tudo Como Era Dantes.
1982 Aumenta a sua actividade no estrangeiro, com
partícular incidência no Oriente.
1988 No álbum de estreia de seu filho José da
Câmara inclui os temas Fragata da Borda d'Água e
Lembranças do Passado, fazendo igualmente um dueto no tema A
Moda das Tranças Pretas.
1989 Assinala o 40º aniversário da sua carreira
no Cinema Tivoli. Na década de noventa continua com
regularidade a dar espectáculos, nomeadamente no
estrangeiro, e não cessa a sua actividade de
gravação discográfica.
Biografia copiada de: www.macua.org/biografias/vicentedacamara.html






