Nasceu em Moçambique a 16/12/1973
Nasceu em Moçambique, mas vive em Portugal desde os três anos. Mariza é uma moçambicana com a alma moldada na Mouraria - “vivi num bairro típico de Lisboa e sempre cantei o fado, eu sei o que é, entendo-me nele” -, foi neste bairro que ouviu os primeiros fadistas, muitos, tantos que não se recorda de todos os nomes e os seus rostos esfumam-se na memória, mas estas “reminiscências sobrevivem no meu cantar”. Assim, aos cinco anos aprendia letras através de autênticas bandas desenhadas feitas pelo pai e participava já, ocasionalmente, em sessões de Fado.
Este envolvimento fadista existiu desde sempre, mesmo se a sua voz se fez ouvir noutros ritmos, mas a distância de Lisboa trouxe-a ao fado mais convicta do que nunca e esse empenhamento foi notado quando em 2001 edita o seu primeiro álbum, “Fado em mim”. Os títulos dos seus álbuns explicam sempre a sua atitude e forma de estar. Em “Fado em mim” sente-se tanto fado, tanto sentimento, tanto passado e tanto futuro que se antevê um soltar amarras. Um álbum, tripla platina em Portugal, que a impulsiona para a cena internacional que lhe reconhece o talento. A imprensa estrangeira não hesita e atesta que nasceu uma nova estrela. Plateias de vários países acolhem-na entusiasticamente.
Nesse mesmo ano a
BBC Radio 3 considera-a Melhor Artista Europeia na área de
World Music, Mariza tinha já conquistado os britânicos
aquando da sua actuação no programa de Jools Holland,
considerada uma das melhores, razão pela qual foi
incluída no DVD comemorativo do lendário programa da
BBC TV. Em Março de 2003 recebe o galardão das
mãos de Michael Nyman, no Hackney’s Ocean que fez
silêncio para a ouvir cantar.
Mariza faz questão de
explicar que foi o fado que a escolheu. Mas talvez essa sua certeza
advenha do facto de, como ela própria o diz, "o fado ser um
sentimento e não propriamente uma música". E é
com convicção que afirma que quando canta consegue
sentir tudo. E é provavelmente essa simplicidade ao cantar
que cativa todos aqueles que a ouvem. Quando os seus guitarristas
começam a tocar, ela ainda não está no palco.
Tocam com muita energia, abruptamente. Ainda mal se vê no
palco, já a sua voz se ergue forte, então ela
aparece, alta, sob a saia longa. É uma nova estrela do fado,
é claro. O público apercebe-se disso imediatamente.
Mantém o contacto com o público durante o tempo todo.
E se as pessoas batem palmas com pouca força, ela fitando o
público, lentamente eleva a palma da mão à
orelha num movimento de escuta. Logo os aplausos se tornam mais
fortes. Ela sorri. Há uma inegável força e um
genuíno êxtase na sua voz quando
actua.
Na primavera de 2003 é
lançado o seu segundo álbum, “Fado
Curvo”, e, se o fado tal como destino não é uma
linha recta, logo “o fado não está encerrado em
limites”. Mariza confirma todos os prognósticos
feitos. A crítica alemã volta a distingui-la com a
Deutscheschalplatten. O álbum atinge o 6º lugar no Top
Billboard de World Music. “Tratar o fado com respeito e
dignificá-lo” são os lemas que a fadista
cumpre. O álbum junta aplausos da crítica e
público tanto em Portugal como no estrangeiro. A fadista
esgota o Queen Elizabeth II Hall, em Londres, a Alte Oper de
Frankfurt, o Centro Cultural de Belém, o
Théâtre de La Ville, em Paris, entre outros palcos em
sucessivas digressões pela Europa e América do
Norte.
Hoje, já com um percurso notável e sem nunca ter imaginado que tal lhe pudesse acontecer, não concebe fazer mais nada. Tem tanto prazer a cantar que, por vezes, acha que tem de ser ela a agradecer às pessoas, e não o contrário.
O novo álbum, “Transparente”, é, para Mariza, “um virar de página” mantendo inalterável a sua paixão por cantar as palavras dos poetas, de que se apropria, pela emoção que coloca na forma como as interpreta. “Transparente” resulta assim, um cadinho de sentimentos descobrindo-se mais a fadista, este álbum torna-se como que revelador de Mariza. É nos versos dos poetas que vai procurar palavras suas que canta numa música antiga que renova constantemente “porque o fado não é limitado, é certo que há uma linha de água e por isso há que tratá-lo com todo o cuidado e dignidade”.
Este ano, foi escolhida pelo Reino da Dinamarca para ser uma das embaixadoras internacionais da obra e do espírito de Hans Christian Andersen. A notabilidade alcançada pela fadista tanto em Portugal como e no estrangeiro foi uma das razões da escolha para além de no fado, tal como na obra de Hans Christian Andersen, haver uma melancolia de forma poética que se tornou universal.
A voz de Mariza solta-se-lhe para o fado, afinal a canção que a embala desde os tempos de menina, oráculo feito no Zambeze de quem nasceu para cantar.
Texto tirado de: http://www.mariza.org/biografia.html




